quinta-feira, 5 de maio de 2011

DEFENDER PORTUGAL


Marcas de Mudança na SAÚDE

1. Criámos 283 novas unidades de saúde familiar que abrangem mais de 3,5 milhões de utentes;

2. Criámos 84 novas unidades de cuidados na comunidade. Mais de 450 mil utentes têm agora médico de família;

3. Beneficiámos 900 mil pessoas (grávidas, idosos e jovens) através do Programa de Saúde oral;

4. Criámos 6 novos centros hospitalares e estamos a construir 12 novos hospitais até 2013;

5. Reduzimos a lista de inscritos para cirurgia em 35% e o tempo de lista de espera em 62% e fazemos mais consultas, mais cirurgias, mais cirurgias em ambulatório e formamos mais especialistas em todas as especialidades médicas, designadamente em medicina geral e familiar;

6. Reduzimos o preço dos medicamentos – os genéricos custam menos 40% do valor e a sua quota de mercado aumentou para os 21%.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Declarações de José Sócrates sobre o acordo com as instituições internacionais

Vídeo com as declarações de José Sócrates (3/5/2011)



Gostaria de anunciar aos portugueses que o Governo chegou hoje [terça-feira] a acordo com as delegações das instituições internacionais quanto ao programa de assistência financeira a Portugal.

O Governo conseguiu um bom acordo. Este é um acordo que defende Portugal. Naturalmente, não há programas de assistência financeira que não sejam exigentes e que não impliquem muito trabalho. Isso não existe. Os tempos que vivemos continuam em implicar esforços e muito trabalho. Ninguém duvide. Mas conhecendo outros programas de ajuda externa e depois de tantas notícias especulativas publicadas pela imprensa, o meu primeiro dever é tranquilizar os portugueses.

O acordo que o Governo conseguiu:

Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança;

Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês dos reformados;

Não tem mais cortes nos salários da função pública;

Não prevê a redução do salário mínimo;

E, ao contrário do que ainda hoje diz um jornal, não corta nas pensões acima dos 600 euros - mas apenas nas pensões mais altas, acima dos 1 500 euros, como se fez este ano nos salários e como estava previsto no PEC. Mais: está expressamente admitido o aumento das pensões mínimas, tal como o Governo sempre pretendeu.

Com este acordo o Governo garante também que:

Não terá de haver nenhuma revisão constitucional;

Não haverá despedimentos na função pública;

Não haverá despedimentos sem justa causa;

Não haverá privatização da Caixa Geral de Depósitos;

Mantém-se a tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde;

Mantém-se a escola pública;

E não haverá privatização da segurança social, nem plafonamento das contribuições, nem alterações à idade legal de reforma, graças à reforma da Segurança Social que fizemos em 2007.

As instituições internacionais reconhecem, portanto, que a situação portuguesa está longe de ser como a de outros países e muito longe de ser como alguns internamente a pretenderam descrever.

Não posso entrar, ainda, em muitos detalhes sob o conteúdo do programa – segue-se ainda a consulta final aos partidos políticos - mas, em acordo com a Troika, posso adiantar cinco informações:

Primeiro, as medidas previstas são essencialmente as do PEC IV. É certo que nalguns casos com maior aprofundamento, com maior detalhe das medidas para 2012 e 2013, algumas – poucas – medidas novas e ainda uma série de procedimentos de análise e monitorização que são habituais neste tipo de programas.

Segundo, este é um programa para três anos que define metas para uma redução mais gradual do défice: 5,9% do PIB este ano, 4,5% em 2012 e 3% em 2013;

Terceiro, a fixação de uma meta orçamental de valor superior para este ano resulta, exclusivamente, das alterações no perímetro orçamental recentemente adoptadas pelas autoridades estatísticas e dos efeitos negativos que a rejeição do PEC, a crise política e o próprio pedido de ajuda externa terão no crescimento da nossa economia;

Quarto, não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. Repito: não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. São suficientes as medidas previstas no Orçamento e as anunciadas no âmbito do PEC IV;

Quinto, as medidas para o mercado de trabalho baseiam-se, essencialmente, no Acordo Tripartido que celebrámos em Março com os parceiros sociais, com alguns desenvolvimentos sobretudo em áreas já sinalizadas no próprio Acordo e sempre de modo a preservar integralmente o equilíbrio nas relações laborais.

Com este acordo, o País obtém pela segunda vez - agora em termos diferentes – o apoio e a confiança das instituições internacionais, e de novo com base, no essencial, no programa de orientações e medidas que o Governo apresentou em Março.

Segue-se, como referi, o procedimento de consulta dos partidos da oposição. O que certamente o País espera é que, desta vez, prevaleça o sentido das responsabilidades e do superior interesse nacional.

O Governo manteve ao longo deste processo os deveres de reserva e o sentido institucional que a situação impunha. Estabelecemos, para isso, um sistema de informação e acompanhamento com os partidos da oposição e o Senhor Presidente da República, a quem transmiti hoje mesmo os termos da proposta de acordo.

Quero prestar reconhecimento ao excelente trabalho desenvolvido nestas negociações pelo senhor Ministro de Estado e das Finanças e por todos os membros do Governo e técnicos portugueses envolvidos no processo.

Dirijo, finalmente, aos portugueses uma palavra de confiança. Nenhuma Nação vence sem confiança em si própria. Esse sentimento de confiança deve prevalecer sobre o negativismo e sobre o pessimismo, atitudes que só conduzem à descrença, à paralisia e à desistência do futuro. Pela minha parte, o que tenho a dizer aos portugueses é isto: nós vamos vencer esta crise.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ana Gouveia candidata a Deputada



Ana Gouveia, militante socialista de Miranda do Corvo e actual vereadora da Câmara Municipal, ocupa o sétimo lugar na lista de candidatos a deputados pelo PS, no círculo de Coimbra, nas próximas eleições legislativas.

O nome de Ana Gouveia foi proposto pela Concelhia de Miranda do Corvo, depois de ter sido aprovado por unanimidade em reunião realizada no dia 7 de Abril.

A lista, aprovada em reunião da Comissão Política da Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista, realizada no dia 15 de Abril, é liderada por Ana Jorge.

EFECTIVOS:
1. Ana Jorge
2. Mário Ruivo
3. João Portugal
4. Teresa Sousa Fernandes
5. Rui Duarte
6. Horácio Antunes
7. Ana Gouveia
8. Carlos Maia
9. Emílio Torrão

SUPLENTES:
1. Liliana Pimentel
2. Jorge Martins
3. Mário Jorge
4. Arménia Coimbra
5. António Arnaut

MANDATÁRIO: António Campos

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Parques eólicos de Vila Nova vão ter mais aerogeradores

Artigo publicado no Diário AS BEIRAS (02/04/2011)



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terça-feira, 5 de abril de 2011

Reunião extraordinária da Comissão Política Concelhia

Foi convocada uma reunião extraordinária da Comissão Política Concelhia de Miranda do Corvo do PS, para a próxima quinta-feira, 7 de Abril de 2011, pelas 21:30.

O carácter extraordinário da reunião está relacionado com o pedido do Presidente da Federação distrital de Coimbra do PS, Dr. Mário Ruivo, para que seja designado um(a) socialista mirandense que possivelmente irá integrar a lista de deputados do PS, pelo círculo de Coimbra, nas próximas eleições legislativas.

Convém ressalvar que tal pedido foi feito a todas as 17 Concelhias do Distrito de Coimbra.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entrevista de José Godinho ao Diário AS BEIRAS



PALAVRA DE AUTARCA

"Nenhuma Política terá sucesso se não ouvir quem está perto dos cidadãos"

E agora? O que se segue para o país?

O PS vai ganhar e vai, se tiver coragem, inverter o que fez mal e continuar a implementar as medidas mais correctas para o país.

DISCURSO DIRECTO

Há muitos projectos que esta junta tem para concretizar. Aproveitar a Casa dos Reis e pô-la ao serviço da população é um deles.



(Clique na imagem para aumentar o tamanho)

sábado, 2 de abril de 2011

Fonte dos Amores



Depois de longos anos sem deitar gota, a Fonte dos Amores já deita água. O problema foi recentemente resolvido pela Junta de Freguesia de Miranda do Corvo e contou com a colaboração da Câmara Municipal.

Em Novembro de 2008, neste Blog, o PS já tinha alertado para a situação da fonte e do painel de azulejos que, entretanto, a Câmara também reparou.


Notícia sobre a Fonte dos Amores (Site da Junta de Freguesia).

Fonte dos Amores (Blog do PS, Novembro de 2008).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Junta de Freguesia de Miranda do Corvo organiza campanha de recolha de alimentos


A junta de freguesia de Miranda do Corvo vai, pelo segundo ano, organizar uma campanha de recolha de alimentos nos próximos dias 16 e 17 de Abril. Esta iniciativa tem como objectivo o apoio a famílias carenciadas da freguesia e ainda a Casa do Gaiato de Miranda do Corvo.

Depois do sucesso alcançado no anterior, a Junta de Freguesia, seguindo o lema "A mão que liga quem quer dar a quem precisa receber", abriu uma bolsa de voluntariado onde apela à participação cívica dos Mirandenses.

Para obter mais informações sobre esta louvável iniciativa da Junta de Freguesia de Miranda do Corvo, queira aceder ao site da junta de freguesia em www.freguesiademirandadocorvo.pt, onde também poderá fazer a sua inscrição como voluntário.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Entrevista de Fernando Araújo ao Diário As Beiras



Palavra de autarca:

"A fusão das freguesias parece-me uma falsa questão"

Concorda com a fusão de freguesias de dimensão e/ou população reduzidas?

Em relação à possibilidade de fusão das Freguesias, esta parece-me uma falsa questão. Importante seria deixar de tratar as freguesias como o parente pobre dos órgãos autárquicos. Em minha opinião, deviam era ser atribuídas mais competências e respectivas verbas. Os autarcas de freguesia já demonstraram que com mais meios podiam fazer muito mais pelas populações, pois são aqueles que melhor conhecem o "terreno".

Como está a ser este mandato, atendendo às medidas de austeridade do Governo?

Este mandato, no meu caso, é o primeiro como presidente de junta e com o apoio de um bom grupo de trabalho, estou a cumprir aquilo a que me propus aquando do ato eleitoral. Para tal somos obrigados a usar a imaginação pois com o corte de verbas, do orçamento de estado, a isso somos obrigados. Todavia sinto que que estamos no bom caminho.

Quais são as principais carências da sua freguesia?

Com o desaparecimento de grande parte das empresas do Concelho, refletiu-se muito na qualidade de vida dos Mirandenses, a falta de emprego. Não posso esquecer anda a problemática do Metro de Superfície, muitos dos Mirandenses sentem na pele a falta desde meio de transporte. Ambicionamos ainda a cobertura de saneamento básico em toda a freguesia.

Consulte o artigo AQUI. Para se manter actualizado sobre a actividade desenvolvida pela Junta de Freguesia de Miranda do Corvo, liderada pelo socialista Fernando Araújo, aceda ao http://www.freguesiademirandadocorvo.pt/.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Infomail da Junta de Freguesia de Lamas


O executivo da Junta de Freguesia de Lamas enviou um Infomail à população da freguesia. ALém da mensagem do Presidente da Junta, João Cateano, no desdobrável é feito um balanço das actividades e são prestadas informações relevantes.
Consulte AQUI o infomail (2 páginas).

Deputada Catarina Marcelino é a nova presidente das Mulheres Socialistas

(PUBLICO, 27/03/2011)

A deputada socialista Catarina Marcelino foi este domingo eleita presidente das Mulheres Socialistas ao vencer em 17 das 22 federações distritais do PS, com uma vantagem de cerca de 600 votos sobre a antecessora, Manuela Augusto.

“É o início de um novo ciclo que queremos mais interventivo e mais combativo, do ponto de vista político”, disse à Lusa Catarina Marcelino, pouco depois de saber que tinha sido a candidata escolhida pelas cerca de 8.000 mulheres socialistas que exerceram o direito de voto.

“Apesar de já haver quotas de género no Partido Socialista, Catarina Marcelino afirma que “ainda há muito para fazer dentro do PS, para que a igualdade de oportunidades seja uma realidade a todos os níveis”.

Nestas eleições para a Presidência do Departamento Nacional de Mulheres Socialistas, Catarina Marcelino contou com o apoio da actual ministra do Trabalho, Helena André, e da deputada Ana Paula Vitorino, entre muitas outras personalidades do PS.

Licenciada em Antropologia, Catarina Marcelino, de 40 anos, é a atual presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Setúbal e integra a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública.

Ao vencer as eleições realizadas a 25 e 26 de Março, Catarina Marcelino impediu que a opositora, a também deputada Manuela Augusto, fosse reeleita para um terceiro mandato à frente da organização nacional das Mulheres Socialistas.

________________________________

NOTA: A nova Presidente obteve em Miranda, onde contou com o apoio de Ana Gouveia, uma vitória muito expressiva. Para a Presidência do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, em Miranda do Corvo, os resultados foram os seguintes:

- Manuela Augusto - 2 votos

- Catarina Marcelino - 17 votos

domingo, 27 de março de 2011

José Sócrates reeleito Secretário-Geral do PS

Nas eleições realizadas no Partido Socialista para Secretário-Geral e Delegados ao XVII Congresso Nacional, José Sócrates foi reeleito para novo mandato com 93,3% dos votos.

Os resultados globais foram os seguintes:

Eleição para Secretário-Geral:
- José Sócrates, 26.713 votos (93,3%)
- Jacinto Serrão, 954 votos (3,33%)
- Fonseca Ferreira, 728 votos (2,54%)
- António Brotas, 257 votos (0,9%)
- Votos Brancos, 390 (1,34%)
- Votos Nulos, 99 (0,34%)

Eleição para Delegados ao XVII Congresso:
- José Sócrates, 1742 Delegados
- Jacinto Serrão, 52 Delegados
- Fonseca Ferreira, 34 Delegados
- António Brotas, 6 Delegados

Resultados em Miranda do Corvo:

Eleição para Secretário-Geral:
- José Sócrates, 49 votos (89,1%)
- Jacinto Serrão, 4 votos (7,3%)
- Fonseca Ferreira, 0 votos (0,0%)
- António Brotas, 0 votos (0,0%)
- Votos Brancos, 2 (3,6%)
- Votos Nulos, 0 (0,0%)

Eleição para Delegados ao XVII Congresso:
- José Sócrates, 3 Delegados (Miguel Baptista, Jorge Cosme e Ana Gouveia)
- Jacinto Serrão, 0 Delegados
- Fonseca Ferreira, 0 Delegados
- António Brotas, 0 Delegados

quinta-feira, 24 de março de 2011

"Agora como sempre, confio nos Portugueses e no seu julgamento. Agora como sempre, confio em Portugal"

Declaração de José Sócrates ao país(23/03/2011)

Consulte AQUI o vídeo.


Portugueses:

Hoje, todos os partidos da Oposição rejeitaram as medidas que o Governo propôs para evitar que Portugal tivesse de recorrer a um programa de assistência financeira externa. Fizeram-no sem apresentar qualquer alternativa a essas medidas de consolidação orçamental. Fizeram-no recusando qualquer negociação, qualquer compromisso, qualquer espaço para o diálogo político. De forma consciente, a Oposição retirou ao Governo todas as condições para continuar a governar. Em consequência apresentei ao Senhor Presidente da República a demissão do cargo de Primeiro-Ministro. Tenho consciência da seriedade desta situação e quero, por isso, dirigir-me aos portugueses.

Desde há vários meses que tenho lutado por um propósito que considero absolutamente fundamental: proteger o País da necessidade de recorrer a um programa de ajuda externa para que Portugal não ficasse na situação da Grécia e da Irlanda.

Sempre alertei para as consequências profundamente negativas de um programa de ajuda externa. Sei bem o que isso significa.

Em primeiro lugar, esse programa tem consequências profundamente negativas para a imagem, para o prestígio e para a reputação nacional. Há toda a diferença entre um país que se propõe resolver os seus próprios problemas e um país que tem de recorrer à ajuda externa para acudir aos problemas que não consegue resolver.

Em segundo lugar, um programa de ajuda externa tem consequências profundamente negativas para as pessoas, para as famílias e para as empresas. Basta ver o que se passa com os países que recorreram a essa intervenção para compreender que ela impõe medidas muito mais duras de austeridade e contenção.

Por isso, e até ao último minuto, mantive total disponibilidade para dialogar com todos e para negociar os ajustamentos que fossem precisos para a verificação de um consenso que salvaguardasse o interesse nacional. Ao longo destes dias, fiz inúmeros apelos à responsabilidade e pedi a todos que pensassem duas vezes no que iam fazer. Lamento que tenha sido o único a fazer esse apelo; e lamento ainda mais que nenhuma força política tenha respondido a esse apelo.

O programa que Portugal apresentou colheu o apoio inequívoco da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e dos nossos parceiros da zona euro. Lamento que esse apoio tenha sido agora deitado por terra. E lamento que o tenha sido por mero calculismo político. Porque uma única razão explica esta crise: a sofreguidão pelo poder, a impaciência pelo poder.

Quando o programa de consolidação é apoiado pelas instituições europeias, há quem faça tudo para destruir essa vitória. Quando o Estado português precisa de ter uma voz forte na Cimeira Europeia, há quem não hesite em enfraquecer irremediavelmente as instituições portuguesas. Quando o interesse nacional deveria estar acima de qualquer outro interesse, há quem não hesite em colocar o interesse político-partidário acima do interesse nacional.

Esta atitude de obstrução à acção do Governo não é nova. Pelo contrário, fez-se sentir desde o início das funções do Governo. Um Governo que, quero recordar, está em funções em resultado da única fonte de legitimidade das democracias: a vontade popular. E as forças de Oposição que hoje rejeitaram o PEC são as mesmas forças que nunca se dispuseram a partilhar as responsabilidades da governação – e que, verdadeiramente, nunca se conformaram com a vontade que o povo exprimiu nas últimas eleições.

Mas, hoje, no Parlamento, a obstrução foi levada a um limite que é intolerável. Já não se trata de obstruir a acção do Governo, trata-se de bloquear o País.

Esta crise política era evitável – bastava haver espírito de diálogo. Esta crise era desnecessária – visto que nem sequer havia qualquer imposição legal de votação do PEC. Esta crise é totalmente inoportuna, provocada no pior dos momentos, a um dia de uma Cimeira que é decisiva para Portugal e para a Europa.

Pode haver quem pense que hoje obteve uma vitória no jogo político. Estreiteza de vistas! Quem assim pensa não está a olhar para o essencial. O que se passou hoje não tem a ver comigo, não tem a ver com o Governo, tem a ver com o País. E, hoje, estou convencido, o País perdeu, não ganhou. Hoje, acrescentou-se às dificuldades económicas a instabilidade política. Hoje, a irresponsabilidade triunfou sobre o sentido de Estado. Hoje, a recuperação da economia e o bem-estar das famílias ficaram reféns do calculismo político mais imediato.

E quero ser claro: esta crise política, neste momento, tem consequências gravíssimas sobre a confiança que Portugal precisa de ter junto das instituições e dos mercados financeiros. E, por isso, os que a provocaram, sem qualquer fundamento sério e sem alternativas, são responsáveis pelas suas consequências.

Pela minha parte, sinto que estou a cumprir o meu dever. Apresentei as medidas difíceis e exigentes que considerei necessárias para que o País pudesse superar a actual crise das dívidas soberanas. E fi-lo com uma única preocupação no meu espírito: defender o que entendo ser o interesse nacional, proteger o País da necessidade de recurso a ajuda externa.

Mas quero dizer aos portugueses que o País não ficou sem Governo. Que podem contar com a mesma atitude e com o mesmo sentido institucional de sempre. O Governo cumprirá totalmente o seu dever, dentro das competências que são próprias de um Governo de gestão, com a consciência da gravidade da situação para que o país acaba de ser atirado. A crise política só pode ser resolvida pela decisão soberana dos Portugueses. Com a determinação de sempre e a mesma vontade de servir o meu País, irei submeter-me a essa decisão.

Muita gente, ao longo de seis anos de exercício das funções de Primeiro-Ministro, me acusou de ser excessivamente voluntarioso ou excessivamente optimista. Deixo esse julgamento a outros. O que sei é que tenho confiança na energia, na vontade e na capacidade dos Portugueses.

Vivemos tempos difíceis, mas saberemos vencê-los. Fomos arrastados para a instabilidade, mas saberemos superá-la. A ansiedade pelo poder levou alguns a pôr em causa o interesse nacional, mas saberemos defendê-lo.

Sejamos, pois, claros. Uma coligação negativa, de forças que nada mais une a não ser a vontade de abrir uma crise política, impôs a demissão do Governo, porque lhe retirou as condições mínimas para a governação exigente que temos pela frente.

Esta crise acontece no pior dos momentos para Portugal. Mas os Portugueses saberão dar-lhe resposta. Com mais dificuldade, com mais trabalho, mas com a mesma determinação de sempre. Agora como sempre, confio nos Portugueses e no seu julgamento. Agora como sempre, confio em Portugal.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um apelo angustiado - Mário Soares

Há razões para admitir que a próxima Cimeira da União Europeia, que se realizará em Bruxelas, nos dias 24 e 25, quinta e sexta-feira, vai ser decisiva para o futuro da Europa e do euro. A agenda, pelo menos, é indiscutivelmente importante e se for cumprida, como se espera, representará um passo em frente no projecto europeu, há tantos meses paralisado.

Com efeito, para além dos problemas da actualidade, como: a tragédia que vive o Japão e que merece toda a solidariedade internacional possível, depois do sismo e do tsunami que arrasaram cidades inteiras e dos perigos subsequentes, resultantes da proliferação das partículas nucleares, dada a explosão de várias centrais atómicas; e do genocídio intolerável a que tem estado a ser sujeita a população da Líbia, pela acção do ditador Kadhafi e dos seus mercenários, ter sido in extremis parada pela condenação do Conselho de Segurança da ONU e a consequente intervenção aéreo-militar dos Estados Unidos e de alguns países europeus, como a França.

Assim, para além destas - e outras - questões de actualidade, a agenda europeia, da próxima Cimeira de Bruxelas, irá debater: a reforma do Governo Económico da União Europeia; o reforço do pilar euro, mediante a criação de um Pacto sobre o euro; a criação dos mecanismos de estabilidade financeira, com capacidade para valer aos países europeus em crise, como é o caso português e outros; e, finalmente, definir uma estratégia europeia para o crescimento do emprego, sem o que cairão na recessão, criando planos nacionais, para os Estados membros do euro. Temas estes da maior importância para a União, que demonstram que os grandes líderes, como a Alemanha, a França e outros, começam a compreender que alguma coisa tem efectivamente de mudar.

Sabemos que a esmagadora maioria dos Estados da União têm Governos conservadores, alguns ultra-reacionários, com uma cultura neoliberal e economicista. Mas a força da realidade - e da crise, que está longe de ter passado - tem muito peso. Contudo, não há países a querer desertar da Zona Euro. Pelo contrário, alguns Estados, como a Polónia e a Hungria, entre outros, querem integrar-se, quanto antes, na Zona Euro e estão em curso negociações nesse sentido.

Imaginem pois os leitores que é neste momento, tão decisivo para a União - e consequentemente para Portugal -, e depois da reunião polémica que o primeiro-ministro Sócrates teve no dia 12 em Bruxelas, onde realmente conseguiu algumas garantias públicas das instituições europeias e da própria chanceler Merkel, que se desencadeou uma guerrilha partidária à portuguesa, que parece conduzir à queda do Governo e, portanto, a um vazio de poder, por dois ou três meses, precisamente quando o nosso próximo futuro se vai jogar. Com que autoridade, para negociar vantagens para Portugal, se irá apresentar em Bruxelas o primeiro-ministro português?

Não interessa agora discutir, do meu ponto de vista, a quem cabem as culpas do impasse criado. Quando há conflitos partidários, geralmente, as culpas são quase sempre, mais ou menos, repartidas. Vamos, de resto, ouvir, na campanha eleitoral que, ao que parece, infelizmente, se vai abrir, essa discussão interminável. Para quê? Talvez, para não termos tempo de tratar do essencial, o problema que mais aflige o Povo Português: como sair da crise, financeira e económica, em que estamos mergulhados? Será sensato, assim, sejam de quem forem as culpas, acrescentar-lhe uma crise política? Será que alguém pensa, em consciência, que a nossa situação vai melhorar, por ignorarmos durante mais de dois meses a crise que hoje nos aflige - a todos - lançando--nos numa disputa eleitoral, ganhe quem ganhar - PSD ou PS - haja ou não coligações, à direita ou à esquerda?

Depois, o CDS/PP vai estar contra o PSD, a disputar-lhe o terreno, palmo a palmo, como se percebeu no Congresso de Viseu. Os Partidos da extrema-esquerda radical não se entendem, como se tem visto, mas estarão ambos contra Sócrates, o que só o reforça, no interior do PS. Mas nenhum partido quer realmente deitá-lo abaixo. Para ficar pior? Quer fritá-lo em lume brando, o que é diferente. Com a excepção, talvez, de Passos Coelho, porque está, cada vez mais, a sofrer pressões internas nesse sentido.

Quando o País acordar dessa campanha eleitoral, que só desacreditará os Partidos - os políticos e o País - quem terá condições efectivas para governar e nos tirar da crise? E por quanto tempo? Passos Coelho? Outra vez, Sócrates? À beira da bancarrota, o Povo Português estará então, desesperadamente, a pedir um governo de salvação nacional ou até: um salvador (que felizmente parece não ser fácil encontrar) visto não estarmos nos anos trinta do século passado...

No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista. Por isso, não pode - nem deve - sacudir a água do capote e deixar correr. Como se não pudesse intervir no Parlamento - enviando uma mensagem ou chamando os partidos a Belém - quando estão em jogo, talvez como nunca, "os superiores interesses nacionais". Tanto mais que, durante a campanha eleitoral para a Presidência, prometeu exercer uma magistratura de influência activa. Não pode assim permitir, sem que se oiça a sua voz, que os partidos reclamem insensatamente eleições, que paralisarão, nos próximos dois meses cruciais, a vida nacional, em perigo iminente de bancarrota.

Se não intervier agora, quando será o momento para se pronunciar? É uma responsabilidade que necessariamente ficará a pesar-lhe. Por isso - e com o devido respeito - lhe dirijo este apelo angustiado, quebrando um silêncio que sempre tenho mantido em relação ao exercício das funções dos meus sucessores, no alto cargo de Presidente da República.

E, já agora, seja-me permitida uma última nota. Também não me agradou nada o exemplo que o Senhor Presidente deu aos nossos jovens, apontando-lhes os também então jovens, que se bateram - a maior parte deles forçados - nas guerras coloniais do salazarismo. Inúteis, como se viu, obsoletas e altamente prejudiciais para Portugal. Foi uma forma de esquecer o sentido essencial do 25 de Abril que, aliás, tantas vezes, elogiou - e bem - nos últimos anos. Podendo, com este exemplo infeliz, lesar as excelentes relações que temos vindo a construir, no quadro da CPLP. Sobretudo, quando essas relações nos são tão necessárias, no momento de crise que atravessamos.

Artigo de Opinião de Mário Soares publicado no Diário de Notícias (22/03/2011)

segunda-feira, 14 de março de 2011

CNOTÍCIAS.NET: Entrevista a Miguel Baptista


Miguel Baptista

Pode consultar AQUI a Entrevista do dia a Miguel Baptista, publicada hoje no CNOTÍCIAS.NET.